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Esportes FUTEBOL

Atletas se posicionam contra a brutalidade policial na Nigéria

País foi tomado por manifestações contra o Esquadrão Especial Antirroubo (SARS), acusado de cometer execuções, roubos, extorsões e tortura

22/10/2020 15h05
Por: Redação Fonte: Globo Esporte
Victor Osimhen e Simeon Nwankwo protestam em jogos de futebol — Foto: Reprodução/Instagram
Victor Osimhen e Simeon Nwankwo protestam em jogos de futebol — Foto: Reprodução/Instagram

Há cerca de duas semanas, uma onda de protestos contra a violência policial surgiu na Nigéria. As autoridades locais têm respondido às manifestações pacíficas com toque de recolher e ainda mais brutalidade, resultando em 56 mortes desde o início dos protestos, sendo 38 confirmadas apenas na última terça-feira (20), segundo a Anistia Internacional.

O alvo principal das manifestações é o Esquadrão Especial Antirroubo - SARS (Special Anti-Robbery Squad), unidade da polícia nigeriana criada para combater o crescimento dos casos de roubo e crimes violentos. Entretanto, sempre houve acusações contra a SARS de torturas, sequestros, corrupção e extorsão. Através da hashtag #EndSARS, os nigerianos começaram a denunciar nas redes sociais os abusos sofridos pela população e os protestos ganharam o mundo.

O clima de hostilidade na Nigéria não passou despercebido pelos atletas mundo afora. Dois dos maiores nomes do esporte nigeriano na atualidade, Kamaru Usman e Israel Adesanya, campeões do UFC no peso-meio-médio e peso-médio, respectivamente, se posicionaram e cobraram atitude do presidente Muhammadu Buhari.

- É difícil para mim entender o que está acontecendo no meu próprio país e como as coisas chegaram na situação em que chegaram. Isso é uma coisa que está há muito tempo acontecendo. Me parte o coração assistir toda essa destruição e caos que está acontecendo. Onde está você, presidente? Como isso está acontecendo há tanto tempo e você não pôde sair e abrir os braços e falar com as suas crianças? Falar com seu país? Fale com a gente. Você foi eleito presidente para nos liderar e você falhou. Vocês têm falhado durante muito tempo, e é por isso que chegou a esse ponto. Agora é hora de acordar, se levantar e mudar - disse Usman em vídeo publicado em suas redes sociais.

Adesanya compartilhou o vídeo feito pelo compatriota e acrescentou: "eles realmente não ligam para nós”.

No último sábado, dois jogadores nigerianos também fizeram coro aos protestos em seu país, durante partidas do Campeonato Italiano. Victor Osimhen, atacante de 21 anos do Napoli, levantou uma camisa na comemoração do quarto gol napolitano da vitória por 4x1 contra a Atalanta, com os dizeres: "Fim à brutalidade policial na Nigéria".

Importante citar que Victor Osimhen chegou ao Napoli nessa temporada, contratado junto ao Lille, como o jogador mais caro da história do clube italiano e a maior transferência da história envolvendo um jogador africano. Simy Nwankwo, atacante do Crotone, mostrou a mesma mensagem na comemoração do gol contra a Juventus, no empate em 1x1.

Lenda do esporte nigeriano, o ex-atacante Kanu, medalha de ouro no futebol nos Jogos de Atlanta 96, também demonstrou tristeza e revolta através das redes sociais: "Parem de matar nosso povo".

Filhos de nigerianos, Bam Adebayo, pivô vice-campeão da NBA pelo Miami Heat, e Victor Oladipo, ala-armador do Indiana Pacers, publicaram em suas redes sociais sobre a necessidade do movimento ser ouvido e a importância da informação sobre o que acontece na Nigéria.

Mas não foram apenas os nigerianos que se posicionaram contra a brutalidade da polícia local. Os ingleses Lewis Hamilton e Marcus Rashford, atacante do Manchester United, ambos conhecidos pelo ativismo nas causas sociais e raciais, foram alguns dos nomes que também demonstraram apoio pela luta que atravessa o povo nigeriano.

É impossível termos ciência das manifestações na Nigéria e não traçarmos diretamente um paralelo com o que vimos nos Estados Unidos ao longo desse ano, após os assassinatos de Breonna Taylor e George Floyd, além dos sete disparos pelas costas em Jacob Blake. Porém, a Nigéria não é os Estados Unidos e a África não é a América. Quanto menos holofote, mais alto precisa ser o grito de resistência!

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