
Uma cena de causar comoção chegou à redação do Jornal Tribuna do Vale na noite de segunda-feira (5): um vídeo enviado por um grupo de protetores de animais de Santo Antônio da Platina (PR) mostra uma cadela da raça Pitbull, fêmea, se alimentando de um cachorro morto dentro de um quintal, na rua João Medeiros de Melo. As imagens são fortes e causam impacto.
O caso foi narrado em um Boletim de Ocorrência Eletrônico, registrado na tarde de segunda-feira (5) pela mesma pessoa que filmou os fatos. Já na manhã desta terça-feira (6), a redação do Jornal Tribuna do Vale entrou em contato com o delegado da 38ª Delegacia Regional de Polícia Civil de Santo Antônio da Platina, Dr. Rafael Guimarães, que enviou uma equipe ao local.
Ao chegar, os policiais encontraram o quintal limpo, sem vestígios do ataque ou do animal morto. Segundo o delegado, os cachorros que permanecem naquele quintal aparentemente estão em boas condições — situação que não configura flagrante de maus-tratos, mas não encerra a apuração.
"Será instaurado um inquérito para apurar toda essa situação", afirmou Dr. Rafael Guimarães.
A versão de uma das integrantes do grupo de protetores que acompanha o caso levanta uma preocupação: cachorros normalmente não se alimentam de outros da mesma espécie.
"Eles podem até matar, mas não comem nem gatos. Comem aves se conseguirem pegar", explicou a protetora, acrescentando que esses casos ocorrem quando o animal está faminto.
No BO eletrônico, a comunicante relata que a cadela, de pelagem marrom, apresenta condições aparentes de magreza e debilidade física, com mamas excessivamente caídas — o que levanta a possibilidade de múltiplas gestações ao longo da vida.
Segundo o registro, a cadela teria matado o outro cão que residia no mesmo quintal e, posteriormente, passou a se alimentar do corpo do animal. Os filhotes que também vivem no local igualmente se alimentaram do cachorro morto.
A ocorrência destaca a preocupação com as aparentes condições de abandono, a possível ausência de alimentação, cuidados e assistência veterinária e o fato de o animal permanecer sozinho no imóvel, sem que tenha sido esclarecida a responsabilidade do tutor ou responsável.
O documento também aponta que, por se tratar de uma cadela de grande porte e possivelmente territorialista, os animais deveriam ser mantidos em espaço adequado e, se necessário, separados, a fim de evitar conflitos e agressões.
Embora o jornal tenha o nome e a localização de todos os envolvidos, a identidade deles será preservada até que a polícia consiga um flagrante que constate os maus-tratos. A investigação segue em andamento pela 38ª Delegacia Regional.
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