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Assembleia Entrevista fala sobre a riqueza cultural e espiritual das religiões de matriz africana

Programa destaca a luta pela preservação e pelo respeito aos credos tradicionais e às comunidades que os praticam.

Redação
Por: Redação Fonte: Assembleia Legislativa do Paraná
15/10/2026 às 15h25
Assembleia Entrevista fala sobre a riqueza cultural e espiritual das religiões de matriz africana
- Foto: Arte: Diretoria de Comunicação

A nova edição do programa Assembleia Entrevista, da TV Assembleia do Paraná, que estreia nesta quinta-feira (15), debate a riqueza cultural, o sentimento de pertencimento e os desafios enfrentados pelas religiões de matriz africana presentes no Paraná. A jornalista Paola Manfroi recebe o babá Flávio Maciel, coordenador-geral do Fórum Paranaense das Religiões de Matriz Africana, e Aline Vojnarovitch, porta-voz da instituição. Os convidados falam sobre o papel fundamental dessas comunidades na luta por direitos, preservação e respeito.

“É importante falar que todo mundo vê a gente só pela religião, mas nós temos uma cultura tradicional e somos reconhecidos pelo Decreto 6040 do Governo Federal, que reconhece as comunidades tradicionais que existem no Brasil, entre elas quilombolas, povos indígenas, faxinalenses, ribeirinhos. E os povos de terreiros também são contemplados, por terem uma lógica própria de organização sistemática, a manutenção de tradições, de saberes e fazeres”, conta Maciel, destacando a importância do reconhecimento da cultura própria das comunidades tradicionais de terreiro.

“Aqui no estado do Paraná também temos um decreto estadual que nos reconhece como comunidade tradicional. E, como comunidade tradicional, a gente fala também sobre territorialidade, sobre os nossos territórios, que não são só os espaços religiosos, mas são espaços da nossa manutenção, da nossa vivência, da preservação da nossa cultura e daquilo que a gente faz para acolher toda a sociedade, as pessoas que nos procuram. O território é um espaço de acontecimento, não só litúrgico, mas também de vivências, de trocas, de aprendizados. É ali que a gente faz transformações e faz com que as pessoas consigam encontrar, muitas vezes, aquilo que estão à procura. É um momento de acolhimento muito forte que acontece nesses espaços”, complementa.

Preconceito religioso

A porta-voz do Fórum Paranaense das Religiões de Matriz Africana lembra que as comunidades tradicionais de terreiro convivem diariamente com o preconceito e a discriminação.

“A nossa tradição é uma tradição negra, de um povo que historicamente foi escravizado por quase 400 anos, oprimido, perseguido. Então, dizer que a gente sofre preconceito, intolerância, não é suficiente para resumir o que a gente sofre dentro das nossas comunidades, das nossas casas, enfim, o que o nosso povo sofre. Por isso é que a gente caracteriza como racismo religioso”, explica Aline, que cita exemplos de violência e perseguição contra as comunidades, algumas vítimas até mesmo de incêndios criminosos, além de repressão policial.

“Podemos citar a operação que aconteceu no terreiro Guerreiros do Vento, em 2025, quando começaram as perseguições religiosas, vindas de um vizinho, especificamente, que não aceita a existência do terreiro no local. Às vezes chegavam viaturas lá, devido a reclamações de perturbação do sossego, mesmo em momentos em que as pessoas estavam só conversando, em reuniões. Até que houve o caso em que a situação se agravou, com a desproporcionalidade da presença de 14 viaturas. Foi um momento em que havia mais agentes de segurança do que pessoas dentro do terreiro. Essa desproporção e também a forma como foi praticada a abordagem, interrompendo aquele encontro religioso, algo que não acontece com outras religiosidades, foram realmente um reflexo do racismo religioso, que soma o racismo institucional, que é esse desconhecimento, essa demonização das nossas culturas”, conclui.

Clique aqui para conferir a entrevista na íntegra.

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