
A Platinense Futsal pode disputar as semifinais da Série Bronze do Campeonato Paranaense de Futsal sem entrar em quadra. A possibilidade nasce de uma irregularidade apontada na campanha do Santa Helena, que levou à suspensão da rodada da competição e abriu uma discussão jurídica sobre quem deve ocupar a última vaga da fase, que já tem o Goioerê classificado em um dos lados da chave.
O problema está na fase de oitavas de final, na eliminatória entre Santa Helena e Ivaiporã.
O goleiro Gustavo, do Santa Helena, teria atuado de forma irregular nas duas partidas do confronto. Santa Helena venceu, avançou de fase e o Ivaiporã foi eliminado naquele momento.
A irregularidade, porém, não foi identificada na ocasião. Ela só veio à tona depois da disputa das quartas de final, quando a competição já havia avançado de fase.
Nas quartas de final, contra o Terra Roxa, o mesmo jogador não entrou em quadra em nenhuma das duas partidas. Santa Helena se classificou em cima do Terra Roxa dentro da quadra, com a equipe regular.
Esse é o ponto central da tese defendida pelo lado platinense: o Terra Roxa não foi prejudicado pela irregularidade, porque o goleiro não jogou contra ele, e perdeu a vaga em campo.
Os demais confrontos das quartas de final também teriam ocorrido sem qualquer problema de escalação, com todas as equipes classificadas dentro da regra.
O raciocínio é que o prejudicado direto pela escalação irregular foi o Ivaiporã. Só que as quartas de final já foram realizadas, e não há como retomar os jogos das oitavas — a fase seguinte já foi disputada e concluída.
Também não se sustenta, na avaliação do jurídico platinense, promover o eliminado das oitavas diretamente à semifinal, porque essa equipe não disputou as quartas de final.
Sem uma solução que reponha o jogo das oitavas, o entendimento é que a definição do quarto colocado da semifinal deve sair do regulamento da classificação geral, pela melhor campanha entre os eliminados.
E é exatamente nesse critério que a Platinense leva vantagem: segundo a argumentação, Santo Antônio da Platina tem a melhor campanha tanto entre os eliminados das quartas de final quanto entre os eliminados das oitavas.
A tese foi construída pelo departamento jurídico da Platinense em conversas com advogados do centro do estado e profissionais que atuam com direito esportivo e com o futsal paranaense.
Segundo o clube, a leitura foi unânime: como o erro aconteceu em fase já encerrada e não houve prejuízo esportivo ao adversário seguinte, o caminho possível é o critério de campanha, e não a simples promoção de um time que não jogou a fase seguinte.
Procurada, a direção da Platinense não se manifestou sobre o caso. A assessoria do clube informou apenas que a situação está sob análise do departamento jurídico e que o clube aguarda o julgamento.
Enquanto isso, a torcida platinense está eufórica com a possibilidade de a equipe entrar na semifinal. A avaliação interna é de que a chance existe e é concreta.
A expectativa é de que a Platinense ingresse como terceiro interessado no julgamento, para apresentar formalmente o entendimento de que a vaga deve ficar com quem tem a melhor campanha na competição.
O caso será analisado em julgamento na próxima terça-feira, quando a organização da Série Bronze deve definir o quarto semifinalista — e, com ele, o adversário do Goioerê.