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O nosso pipoqueiro

Todas as tardes Moacir encosta seu carrinho de pipocas na esquina da igreja Matriz...

18/06/2020 10h51
Por: Redação Fonte: João Neto
O nosso pipoqueiro

Todas as tardes Moacir encosta seu carrinho de pipocas na esquina da igreja Matriz, fica até 9 da noite, atendendo sua freguesia, depois retorna pra sua casa. E faz isso religiosamente, desde 1986, portanto, há quarenta e quatro anos.

Moacir é um sujeito calmo, de fala mansa e tranquila, amigos de todos – um exemplo de trabalho e dedicação.

A história de vida do Moacir daria pra escrever um livro ou um filme de superação, um filme de fazer inveja ao “Rock Balboa”!

Ele, no início dos anos 80, trabalhava na multinacional Goodyear, em Americana (SP), exercia um cargo que lhe permitia um padrão de vida acima da média. Pra se ter uma ideia, ganhava o equivalente a seis salários mínimos, coisa de seis mil reais nos dias de hoje.

Naquela época, ele e Maria Lúcia tinham dois filhos, Ana Paula e Renato, sua vida seguia calma e feliz.

Num determinado período Moacir começou a sentir fortes dores lombares. O médico detectou uma hérnia de disco, com necessidade de intervenção cirúrgica com absoluta urgência. Após a cirurgia e iminente necessidade de repouso por tempo indeterminado, o mesmo médico assinou sua aposentadoria por invalidez, sumariamente.

Moacir, de um dia para o outro, se viu em “maus lençóis”, aposentado com um salário mínimo percebeu a necessidade de mudar-se de Americana, o custo de vida por lá era alto demais.

Decidiu voltar para sua cidade natal, Joaquim Távora, ali estavam seus pais e seus irmãos. Em menos de um ano, morando em terras tavorenses, Moacir e Maria Lúcia perceberam que seus filhos não saravam de uma gripe irritante, aumentou o gasto com remédios caros, até que um médico o informou que suas crianças tinham alergia à poeira sugerindo à família que se mudasse para uma cidade onde o vento não fosse tão intenso.

Mudaram-se então para Santo Antônio da Platina, uma nova chance, porém, sem dinheiro, sem emprego, dois filhos para criar e com o eterno rótulo da “invalidez permanente”.

Conta Moacir que estavam vivendo com o restante do dinheiro de seu acerto trabalhista, estava deprimido, sem poder trabalhar registrado e sem oportunidades.

Passava parte do dia sentado num banco de cimento, ao lado de uma torre com um relógio, na antiga rodoviária de Santo Antônio, hoje Platina Shopping.

Num desses dias sentou-se ao seu lado, no mesmo banco, um senhor de nome Dinho. O homem brincou com ele:

- Moacir, você esta com a fisionomia derrubada, parece que morreu e esqueceu de cair!

Moacir contou seu drama a Seo Dinho, que o respondeu:

Tem um senhor na Vila São José que parou de trabalhar e está vendendo seu carrinho de pipocas. Seria uma boa opção pra você ganhar dinheiro.

- O senhor está de brincadeira? Pensa num cara novo como eu, 28 anos, na flor da idade, empurrando um carrinho de pipoca?

À noite, conversando com a esposa Maria Lúcia, Moacir contou sobre o carrinho, ela argumentou:

- Por que você não tenta?

Na manhã seguinte Moacir foi atrás, juntamente com Seo Dinho, e acabou comprando o carrinho de pipoca.

Conta Moacir que estava com vergonha de empurrar o carrinho, Seo Dinho se propôs a ajudá-lo, enfim, acabou sendo seu fiel companheiro por trinta dias, até que Moacir pode tocar seu próprio negócio.

O melhor da história foi que, no primeiro mês, trabalhando em frente à Igreja Matriz Santo Antônio de Pádua, Moacir ganhou mais dinheiro que nos tempos da multinacional.

Hoje Moacir tem mais um filho, Paulo Víctor.

Quarenta e quatro anos depois, Moacir garante que tem uma vida financeira completamente estabilizada, com direito a programação anual de pescaria no Mato Grosso e férias de verão em Camboriú.

Nós, por outro lado, ganhamos um cidadão de bem, querido por todos, verdadeiro exemplo de perseverança e superação.

Sua esposa, Maria Lúcia, foi a grande companheira de viagem, na saúde e na doença, na pobreza e na riqueza.

Para se ter uma ideia do quanto Moacir é querido, eu, com meus próprios olhos, presenciei uma cena que descrevo abaixo:

Eu saía da Copel, o Moacir seguia empurrando seu carrinho sentido à igreja, uma menina de uns nove anos passava de mãos dadas com sua mãe, quando viu o Moacir a menina gritou feliz:

- Olha lá mãe, é o NOSSO pipoqueiro!

Pronto, a menina nos fez lembrar que Moacir é, de verdade, o “nosso” pipoqueiro!

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