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Uso de cloroquina, preconceito e gratidão; 1º paciente infectado na cidade revela ‘bastidores’ da Covid-19

Ricardo Martins, 67 anos, não apresentou sintomas, mas diz que médicos foram fundamentais para evitar evolução da doença

26/06/2020 17h58 Atualizada há 3 semanas
Por: Redação Fonte: Luiz Guilherme Bannwart
Ricardo Martins; primeiro paciente diagnosticado com a Covid-19 em Santo Antônio da Platina
Ricardo Martins; primeiro paciente diagnosticado com a Covid-19 em Santo Antônio da Platina

O produtor rural Ricardo Martins, 67 anos, foi o primeiro paciente diagnosticado com Covid-19, em Santo Antônio da Platina. O resultado foi divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde no dia 8 de maio e deixou a cidade em estado de atenção por conta da gravidade da doença, que até então já registrava 146.894 casos do novo coronavírus em todo o País, com 10.017 mortes.

Ricardo conta que procurou o pronto-socorro após perceber um desconforto respiratório, e que o médico Anderson Hinterlang seguiu todos os protocolos para casos suspeitos de Covid-19. Ele foi internado em uma ala do Hospital Nossa Senhora da Saúde e depois transferido para a unidade semintensiva do Hospital Regional do Norte Pioneiro, onde cindo dias depois foi informado que havia testado positivo para o novo coronavírus.

Sem apresentar sintomas da doença, e pelo fato de estar clinicamente bem, Ricardo recebeu alta médica e foi orientado pelos médicos a permanecer por mais cinco dias em isolamento domiciliar, e assim o fez. Quando imaginava que tudo havia terminado, uma ‘pontada’ na perna esquerda o levou novamente ao médico Anderson Hinterlang, e Ricardo precisou ser internado novamente, sendo transferido mais tarde para a Santa Casa de Londrina, onde exames mostraram uma das artérias entupida e que seria necessário um cateterismo para desobstrução do vaso sanguíneo.

Ricardo disse que em nenhum momento teve medo de morrer, e que antes mesmo de ser diagnosticado com coronavírus fez uso do medicamento cloroquina – cuja eficácia para o tratamento da Covid-19 ainda é bastante contestada no meio científico. Ele também conta que foi alvo, junto com a família, de preconceito por conta da doença. “Desde quando fui internado eu comecei a fazer uso de cloroquina, obviamente sob orientação médica, e acredito que isso me ajudou muito. Por isso sou totalmente a favor do uso deste medicamento no tratamento da doença”, assinala. “Tão cruel quanto o coronavírus é o preconceito que existe com as pessoas diagnosticadas com a doença. Eu e minha família sentimos isso na pele. Os vizinhos passavam do outro lado da rua de casa com medo de se infectarem. Apenas uma vizinha foi solidária com a gente, além de alguns amigos próximos que se dispuseram a nos ajudar no que fosse preciso naquele momento difícil. Nas redes sociais chegaram a noticiar a minha morte, sendo que, apesar de estar doente eu estava muito bem, melhor que hoje”, revela.

O produtor rural disse ainda que não participou de nenhuma festa em Ribeirão do Pinhal com pessoas que testaram positivo para a Covid-19, e que supostamente resultou na primeira morte por coronavírus no município. “Muitas informações desencontradas circularam na internet a respeito disso, mas são inverídicas. Eu não participei de nenhuma festa em Ribeirão do Pinhal, tive, sim, contato comercial com uma pessoa de lá, mas aqui em Santo Antônio da Platina. Porém, não posso afirmar se essa pessoa esteve na tal festa e se ela estava infectada”, esclarece.

Segundo Ricardo, sua mulher Silvia e os filhos Leonardo e Eliza cumpriram o isolamento social, mas ninguém da família, assim como ele, apresentou sintomas da doença. Ele afirma que as medidas sanitárias e de distanciamento social são fundamentais para o combate à pandemia. “Infelizmente não é possível cercar o vírus, portanto é fundamental que façamos a nossa parte para evitar o contágio da doença, principalmente entre os grupos de risco que são mais vulneráveis”, alerta.

Ricardo conclui agradecendo os médicos e enfermeiros que cuidaram da sua saúde, à sua família, amigos e voluntários. “Não quero cometer injustiças deixando alguma pessoa de fora em meus agradecimentos. Portanto, o meu muito obrigado a todos da equipe médica do doutor Anderson Hinterlang, que foram excepcionais na minha recuperação, assim como enfermeiros, amigos, meus familiares e pessoas que direta ou indiretamente estiveram ao meu lado”.

Agradecimentos especiais

Médicos

Anderson Hinterlang Cristiane, Flávio, Tiago, William e Saulo.

Amigos

Romão, Marco e família, Branco e Ester, Mirtem, Elza, Dalva, Silvia e André. Seu irmão Roberto e a cunhada Regiane.

Servidor

Angelita, do Posto de Saúde da Vila Sete

Vereador

José Jaime Mineiro

Enfermeiras

Dandara, Miriam, Nataly, Taís, Cris, Jenifer, Karol, Patrícia, Elidiane, Rebeca, Camila, Oseias, Igor, Sabrina e Micaele.  

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