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Quantos corações um homem pode ter?

É sabido que eu, enquanto empregado da Copel, tanto quanto um carteiro, conheci todas as vias públicas da cidade...

04/08/2020 10h44
Por: Redação Fonte: João Neto
Júlio Giovannetti - Arquivo da família
Júlio Giovannetti - Arquivo da família

É sabido que eu, enquanto empregado da Copel, tanto quanto um carteiro, conheci todas as vias públicas da cidade: ruas, avenidas, alamedas, travessas, praças, becos, etc... Se me perguntarem a localização eu respondo, na minha cidade sou quase um GPS.

Por um tempo, curioso que só, comecei a pesquisar biografias das personalidades que eternizaram seus nomes pelas nossas vias. Comecei pelo trigésimo segundo presidente americano Franklin Delano Roosevelt, que dá nome à nossa esquecida Escola Agrícola, na Estrada de Ribeirão do Pinhal. Pesquisei Ruy Barbosa e Marechal Deodoro, nominados nas duas principais ruas da cidade, pesquisei Frei Guilherme e Frei Henrique, entre outros religiosos, assim como, nomes de personagens municipais histórico, por exemplo, Antônio Pinto da Fonseca, fundador do nosso povoado.

Pois bem. Cheguei ao senhor Júlio Giovannetti, que dá nome à via de prolongamento da Rui Barbosa sentido Yazaki.

Colocar o currículo de Júlio Giovannetti nesta matéria teria que gastar páginas e páginas, dada sua qualificação pessoal, social, profissional e humana, mesmo assim, farei um breve resumo:

Era casado com Tecla Santos Giovannetti, pai de Júlio Cézar, Eduardo e Homero Giovannetti. Fundador do Rotary e Lions Club, vereador, vice-prefeito e prefeito interino. Sócio-fundador dos Armazéns Gerais Brasília, cartorário, um dos fundadores da Cia telefônica de Santo Antônio da Platina, sócio-proprietário da Concessionária Chevrolet: Geral de Automóveis Ltda., sócio-fundador da UPE Clube de Campo, sócio-fundador da APE – Associação Platinense de Esportes, sócio-proprietário da Sociedade Agrícola Itambé, entre outras instituições.

Com tantos títulos e qualificações como seria Júlio Giovannetti social?

Foi aí conheci a história do cidadão mais marcante do livro da história de nossa cidade:

ELEGÂNCIA: Júlio Giovannetti era amante das boas roupas, dos bons vinhos, dos bons perfumes. Como dizem os antigos: o homem andava alinhado e tinha uma educação britânica. Tratava todos com isonomia, era cordial tanto com o catador de papelão quanto com o juiz da Comarca. Gostava de carros novos e sofisticados, porém tinha uma máxima: “Quando me vir passeando de carro novo, pode apostar, eu tenho dinheiro suficiente pra comprar dois!”.

ALEGRIA, ALEGRIA: Ednéia Maria, filha do Sr. Arlindo, antigo Bar Brasil, conta que Julinho era extremamente bem-humorado, gostava de contar causos e piadas. Sarrista e debochado era cheio de colocar apelido nos amigos. Contam que, no Cartório Civil, quando ouvia o nome de uma criança a ser registrada e não gostasse do nome ele sugeria:                                                                                        "A senhora não vai fazer isso, como pode uma menininha linda dessa com esse nome tão feio? Coloca Rachel Welch”. Portanto, se algum dia conhecerem alguma Rachel Welch na cidade, foi culpa do Júlio Giovannetti.

CREDENCIAL: Certa vez apareceu por aqui um padre que percorreu toda a cidade vendendo livros ilustrados de receitas culinárias, no intuito de angariar recursos para sua ordem religiosa. Obviamente foi até a casa de Júlio Giovannetti vender suas coleções. Julinho o convidou pra tomar cerveja e o sacerdote acabou perdendo a hora de retornar para a casa dos padres, onde estava hospedado. Apareceu por lá muito tarde e o responsável não o deixou entrar. Ele retornou a casa do Julinho e contou o ocorrido. Julinho então o acompanhou de volta até a casa dos padres, e quando o guarda-chaves viu que o sacerdote estava junto com Júlio Giovannetti imediatamente abriu o portão e o deixou entrar.

HUMANITÁRIO, FILANTROPO E ALTRUÍSTA: Rico e independente, Júlio Giovanetti ajudava as pessoas, principalmente as menos favorecidas. Conta Valdir Valdivieso que, muitas vezes, Julinho efetuava registros cartorários sem custas para os pobres. Certa vez, um amigo, dentista prático, se envolveu em dívidas bancárias, vindo a penhorar seu consultório odontológico. Não pagou a dívida e o equipamento foi a leilão. Júlio Giovanetti arrematou os equipamentos e devolveu para o profissional: “Pega seu equipamento de volta e vá trabalhar!”.                   

Nos leilões da igreja arrematava tudo bem caro e distribuía aos menos favorecidos (para não deixar os abastados comprarem barato). Uma forma de arrecadar mais dinheiro para obras assistenciais da igreja, asilo, etc.

EMBAIXADOR: Júlio Giovannetti foi Embaixador Platinense na cidade de Machado (MG). Contam que Santo Antônio da Platina e Machado foram cidades irmãs, por conta de uma atitude de solidariedade do Julinho Giovannetti. Naquele município recebeu o título de cidadão honorário e hoje é nome de rua naquela localidade. Dizem que a fama de Santo Antônio da Platina ser hospitaleira deve-se muito à conduta de Júlio Giovannetti.

O FIM DO MITO: Júlio Giovannetti faleceu em 1978, atropelado, em uma avenida de Araruama (RJ), em frente às salinas. Mário Fogaça afirmou que quando soube da morte de Julinho se trancou em seu quarto para chorar. Disse que ficou se perguntando como uma pessoa tão boa pudesse ter ido embora tão cedo (aos 66 anos). Posteriormente se conformou, entendendo que Deus estava precisando de Júlio Giovannetti no céu.

O ENTERRO: Conta Valdir Valdivieso que o cortejo que seguiu o enterro de Júlio Giovanetti foi o maior da história da cidade, a quantidade de pessoas chorando também. Morreu o homem, ficou o mito. Alguém me confidenciou que Júlio Giovannetti tinha um coração pra cada pessoa que dele se aproximasse.

Rest in paradise!

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