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PSG emite nota de apoio a Neymar; craque faz desabafo em tom de paz, mas pede punição a zagueiro

Clube dá suporte público ao brasileiro, que relatou injúrias raciais por parte de Álvaro González. Astro indica arrependimento por agressão: "Me faltou sabedoria"

14/09/2020 15h29
Por: Redação Fonte: Globo Esporte
Expulsão e acusação de Neymar de racismo contra Álvaro González, do Olympique de Marselha/Foto: Reprodução
Expulsão e acusação de Neymar de racismo contra Álvaro González, do Olympique de Marselha/Foto: Reprodução

O PSG divulgou nesta segunda-feira uma nota oficial de apoio a Neymar, um dia depois de o craque acusar o zagueiro Álvaro González, do Olympique, de racismo durante o clássico do último domingo. O clube parisiense emitiu um comunicado afirmando que "apoia fortemente" o brasileiro e cobrando que a liga francesa investigue a denúncia feita por Neymar ainda no campo. O próprio jogador também se manifestou mais uma vez nas redes sociais na sequência.

- O clube lembra que não há lugar para o racismo na sociedade, no futebol ou nas nossas vidas e apela a todos para que se manifestem contra todas as suas manifestações em todo o mundo - afirma a nota.

Minutos depois, Neymar postou um longo texto em suas redes sociais, fazendo mais um desabafo. Desta vez, porém, usou um tom mais pacífico e indicou arrependimento pela agressão ao adversário. Ao dizer que aceita sua punição, o brasileiro também pediu que González receba uma sanção.

- Nós que estamos envolvidos no entretenimento precisamos refletir. Uma ação levou a uma reação e chegou onde chegou. Aceito minha punição porque deveria ter seguido no caminho da disputa limpa do futebol. Espero, por outro lado, que o defensor também seja punido.

Neymar acusou Álvaro González de injúrias raciais durante o duelo entre PSG e Olympique, no último domingo, alegando que o espanhol o chamou de "macaco filho da p...". O brasileiro chegou a relatar os atos preconceituosos durante a partida e, no fim do jogo, desabafou às câmeras logo depois de ser expulso por ter dado um tapa em Álvaro - em um lance revisto pelo VAR.

O camisa 10 deixou o campo irritado, denunciando o defensor, e usou as redes sociais para continuar o desabafo e detalhar o ocorrido. Neymar chegou a dizer que se arrependeu de "não ter dado na cara" do adversário e respondeu uma postagem de Álvaro, que se defendeu dizendo que sua carreira jamais teve episódios do tipo, postando uma foto ao lado de jogadores negros do Olympique.

No texto postado nesta segunda, Neymar apontou que ficou revoltado por não ser ouvido pelos árbitros em campo e que ainda vem refletindo sobre sua agressão, se questionando se deveria ter ignorado o ato racista adversário. E apontou que "faltou sabedoria" no momento, mas que é necessário "pacificar esse movimento antirracismo", desejando paz a Álvaro González.

- No nosso esporte, as agressões, insultos, palavrões são do jogo, da disputa. Não dá para ser carinhoso. Entendo esse cara em parte. Faz parte do jogo. Mas o preconceito e a intolerância são inaceitáveis. Eu sou negro, filho de negro, neto e bisneto de negro. Tenho orgulho e não me vejo diferente de ninguém. Ontem eu queria que os responsáveis pelo jogo (árbitro, auxiliares) se posicionassem de modo imparcial e entendessem que não cabe tal atitude preconceituosa - completou no texto.

Segundo a rádio "RMC", a liga francesa abriu uma investigação sobre o caso, e caberá ao comitê disciplinar aplicar possíveis sanções. Álvaro González poderia pegar um gancho de até 10 jogos pelos atos de preconceito, enquanto Neymar poderia ser suspenso por até sete partidas por conta da agressão em campo.

Confira o desabafo de Neymar na íntegra:

"Ontem me revoltei, fui punido com vermelho porque quis dar um cascudo em quem me ofendeu. Achei que não poderia sair sem fazer nada porque percebi que os responsáveis não fariam nada, não percebiam ou ignoravam. Durante o jogo, queria dar a resposta como sempre, jogando futebol. Os fatos mostram que não consegui, me revoltei.

No nosso esporte, as agressões, insultos, palavrões são do jogo, da disputa. Não dá para ser carinhoso. Entendo esse cara em parte. Faz parte do jogo. Mas o preconceito e a intolerância são inaceitáveis. Eu sou negro, filho de negro, neto e bisneto de negro. Tenho orgulho e não me vejo diferente de ninguém. Ontem eu queria que os responsáveis pelo jogo (árbitro, auxiliares) se posicionassem de modo imparcial e entendessem que não cabe tal atitude preconceituosa.

Refletindo e vendo tanta manifestação quanto ao que ocorreu, fico triste pelo sentimento de ódio que podemos provocar quando no calor do momento nos revoltamos. Deveria ter ignorado? Não sei ainda... Hoje com a cabeça fria respondo que sim, mas oportunamente eu e meus companheiros pedimos ajuda aos árbitros e fomos ignorados. Esse é o ponto!

Nós que estamos envolvidos no entretenimento precisamos refletir. Uma ação levou a uma reação e chegou onde chegou. Aceito minha punição porque deveria ter seguido no caminho da disputa limpa do futebol. Espero, por outro lado, que o defensor também seja punido.

O racismo existe, mas temos que dar um basta. Não cabe mais, chega! O cara foi um tolo, eu também fui por me deixar ser atingido... Eu ainda hoje tenho o privilégio de me manter com a cabeça levantada, mas todos nós precisamos refletir que nem todos os pretos e brancos podem estar na mesma condição. O dano do confronto pode ser desastroso para ambos os lados, quer seja preto ou branco. Não quero e não podemos misturar assuntos. Cor de pele não há escolha. Perante Deus somos todos iguais.

Agora... Ontem perdi no jogo e me faltou sabedoria... Estar no centro dessa situação ou ignorar um ato racista não vai ajudar, eu sei. Mas pacificar esse movimento "antirracismo" é obrigação nossa para que o menos privilegiado receba naturalmente sua defesa. Vamos nos encontrar novamente e vai ser do meu jeito, jogando futebol... Fica na paz! Fica em paz! Você sabe o que falou... Eu sei o que fiz! Mais amor ao mundo!"

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