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Política POLÍTICA

Bolsonaro ataca própria base e arrisca reeleição ao demitir militares, diz especialista

A pasta da Defesa foi criada em 1999 e era tradicionalmente chefiada por ministros civis, mas passou a ser comandada por militares no governo Michel Temer

31/03/2021 10h13
Por: Redação Fonte: BBC Brasil
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O ex-presidente Michel Temer (MDB) inaugurou um ponto fora da curva no período democrático ao colocar um militar, e não mais um civil, à frente do Ministério da Defesa. Mas o presidente Jair Bolsonaro tomou um passo ainda mais atípico ao apontar e depois demitir um general como titular da pasta, conforme fez nesta segunda-feira (29/3) com o agora ex-ministro Fernando Azevedo e Silva.

Essa é a avaliação do cientista político João Roberto Martins Filho, professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Pesquisador especializado em Forças Armadas e na ditadura militar, ele classifica à BBC News Brasil como ousadia a decisão do presidente.

Para Filho, a sucessão de acontecimentos dos últimos dias pode levar a um movimento de saída de militares da base de apoio a Bolsonaro.

“É uma prerrogativa do presidente demitir um ministro de Estado — sim, é, só que esse era um ministro militar. Os primeiros dez ministros da Defesa (após a redemocratização) foram civis, e nunca houve problema em substituir. Agora, se você põe um general para comandar o Ministério da Defesa e ele é demitido, cria-se uma crise militar”, explica o pesquisador, autor dos livros Movimento estudantil e ditadura militar e O palácio e a caserna.

A substituição de Fernando Azevedo e Silva pelo general Walter Souza Braga Netto, que estava na Casa Civil, foi uma das seis trocas realizadas pelo governo em ministérios na segunda-feira.

“Espanta a ousadia do Bolsonaro em demitir um general. Não tem nada de normal nisso, é uma crise mesmo. A base militar, a principal base desse governo, a mais estruturada, está sendo abalada pelas ações do próprio presidente”, diz, caracterizando Bolsonaro como “absolutamente imprevisível e instável”.

Silva comunicou sua saída do Ministério da Defesa, sem explicar publicamente os motivos:

“Nesse período, preservei as Forças Armadas como instituições de Estado”, disse em nota oficial de despedida. Segundo a BBC News Brasil apurou, Bolsonaro pediu sua saída do cargo por estar insatisfeito com a falta de apoio das Forças Armadas a bandeiras do governo.

O cientista político conta que ele e colegas já observavam, nas últimas semanas, uma mudança no conteúdo divulgado pelo centro de comunicação e por representantes do Exército — exaltando ações da força no combate à pandemia de coronavírus, em consonância com diretrizes preconizadas por cientistas e pela OMS (Organização Mundial da Saúde), e portanto divergentes da gestão da crise sanitária por Bolsonaro, que vem desafiando essas orientações.

“Bolsonaro percebeu uma manobra de distanciamento sutil que ia deixar a bomba (a crise sanitária) na mão dele. E então tomou essa atitude totalmente inesperada de demitir o ministro da Defesa.”

Filho concorda com analistas que dizem que os acontecimentos da segunda-feira podem representar a maior crise política e militar desde 1977, quando o então presidente Ernesto Geisel demitiu o ministro do Exército, Sylvio Frota. Entretanto, o cientista político ressalva que ainda é cedo para tirar conclusões e que os dois períodos, 1977 e 2021, são muito diferentes — o primeiro, um regime militar; e agora um contexto democrático, ainda que, em suas palavras, “mambembe”, no qual o Legislativo e o Judiciário têm papéis fundamentais.

Como consequência da crise institucional instalada na segunda-feira, João Roberto Martins Filho afasta a possibilidade de turbulências internas nas Forças Armadas, como insurgências, ou mesmo um golpe militar do dia para a noite. Para ele, o que deve ocorrer é mesmo um enfraquecimento de Bolsonaro, tanto na Presidência, como em uma possível candidatura à reeleição, uma vez que militares podem buscar um outro nome de direita para apoiar em 2022.

Para ler a matéria completa na BBC Brasil clique aqui.

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