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'Mais fácil arquivar do que ir atrás da verdade', diz Najila sobre arquivamento de processo de estupro contra Neymar

Modelo prestou depoimento à polícia nesta terça-feira (13) sobre arrombamento em seu apartamento em São Paulo.

14/08/2019 17h02
Por: Redação
Fonte: Por Robinson Cerântula, TV Globo — São Paulo
Najila Trindade Mendes de Souza deixa delegacia da mulher — Foto: Robinson Cerântula/TV Globo
Najila Trindade Mendes de Souza deixa delegacia da mulher — Foto: Robinson Cerântula/TV Globo

modelo Najila Trindade disse, na noite desta terça-feira (13), que não ficou surpresa ao saber que a Justiça arquivou, na quinta-feira (8), o processo que investiga a denúncia de estuprocontra jogador Neymar.

"Eu acho normal, porque a palavra dele [Neymar] vale mais que a minha. É o caso de um jogador e eu sou só uma pessoa de família humilde. É muito mais fácil arquivar o caso do que ir atrás da verdade”, disse a jovem.

Ela esteve no 11º Distrito Policial de São Paulo para prestar depoimento no inquérito que investiga o arrombamento ocorrido em seu apartamento. Najila esteve acompanhada de seu advogado, Cosme Araújo, que falou sobre esta investigação. Ela volta à delegacia nesta quarta-feira (14) para prestar depoimento no inquérito sobre a extorsão.

"Ela soube através da mídia e posteriormente por meio de uma moça que trabalhava com ela. Então, ela não tinha condições objetivas de saber de onde saiu esse arrombamento. Por isso mesmo, se não surgirem informações em direção contrária ao que eu estou dizendo eu não tenho conhecimento", disse Araújo.

Arquivamento

 

Na quinta-feira, a juíza Ana Paula Vieira de Moraes, da Vara de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher, acolheu a manifestação do Ministério Público pelo arquivamento do processo que apura a denúncia de estupro e agressão contra o jogador Neymar.

As promotoras Estefânia Paulin e Flávia Merlini do Grupo de Atuação Especial de Enfrentamento à Violência Doméstica (Gevid), do Ministério Público Estadual, haviam protocolado o pedido de arquivamento à Justiça na tarde desta quinta-feira.

"Decidimos pelo arquivamento do processo por não haver provas suficientes. Isso não significa a absolvição do averiguado. Há a possibilidade de reabertura do inquérito", afirmou Flávia.

Sobre as supostas agressões, o MP entendeu que faziam parte de um contexto. "Havia lesões apenas em um dedo. Pelo laudo particular apresentado pela vítima, não entendemos que havia uma lesão que comprovasse o estupro", disse Estefânia.

Segundo Flávia, "todas as provas colhidas estavam todas em contradição". "Pedimos para a vítima a produção de várias provas e não houve movimentação da parte para isso, por essa razão entendemos pelo arquivamento".

"Ela não produziu nenhuma prova que ela disse que tinha. A delegada pediu para ela plugar o celular a um computador para ela ver o vídeo e ela não quis fazer isso. Ela não quis entregar o celular também, depois ela disse que ele foi furtado." disse Estefânia.

Investigação e contradições

 

No relatório final, a delegada Juliana Lopes Bussacos concluiu que "diante dos elementos colhidos no curso da investigação policial, não vislumbro elementos para o indiciamento do investigado, uma vez que as versões são conflitantes, com incongruências nas declarações da vítima e, principalmente, nas provas apresentadas pela mesma".

Najila e Neymar relataram que o primeiro contato entre eles aconteceu por iniciativa dela, que mandou uma mensagem para o jogador em uma rede social, e que logo passaram a se comunicar por um aplicativo de mensagens. Os dois deram versões diferentes para o que aconteceu entre eles.

 

As contradições no caso que chamaram a atenção da polícia foram:

 

 

  • Najila: diz que Neymar chegou por volta de 20 horas "aparentemente alterado" ao hotel Em Paris.
  • Neymar: nega que estivesse embriagado e disse que tomou apenas uma dose de "gin" antes do encontro.
  • Najila: conta que, conforme "rolavam na cama", Neymar começou a lhe desferir "tapas" nas nádegas cada vez mais fortes, até que ela pediu para que ele parasse e ele respondeu: "desculpa, linda".
  • Neymar: relata que foi durante a relação sexual que Najila lhe pediu para que desferisse "tapas" nas nádegas. Ele disse que ela não só não pediu para que ele parasse, como pedia mais.
  • Najila: disse à polícia que Neymar puxou-a fortemente pelo braço, virando-a de costas. Puxou seus cabelos e a penetrou. Ela afirmou que a todo momento pedia para que ele parasse.
  • Neymar: nega ter sido violento com ela e disse que jamais puxou os cabelos dela ou usou violência.
  • Najila: conta que Neymar a fotografou sem pedir autorização. Ela afirma que ele a empurrou e tirou uma foto de seu corpo nu. Afirma que Neymar deixou o quarto de hotel e, que após alguns minutos, lhe enviou a foto que havia tirado sem sua autorização.
  • Neymar: diz que ao perceber as marcas rosadas nas nádegas de Najila pediu para tirar uma foto. O jogador afirma que a modelo fez uma pose para ele e que ambos dão risada da situação. Em seguida, ele diz que vai enviar a foto para ela.
  • Logo depois de receber a foto, Najila e Neymar trocam mensagens pelo celular. Em um documento que faz parte do inquérito, os advogados do jogador consideram a conversa uma prova cabal de que não houve estupro.

     

    • Najila escreve: "Vai ter volta".
    • Neymar responde: "Vai nada hahahah".
    • Najila: "Vai arrregar?"; "Faltam 3 ainda p vc conhecer"; "Essa foi tranquila".
    • Neymar: "Ah não"; "Claro que vamos transar de novo".

     

    No dia seguinte, Neymar volta ao hotel em Paris e mais uma vez as versões são conflitantes:

     

    • Najila: diz que insistiu para que o jogador voltasse ao hotel porque queria "bater nele", pois estava com muita raiva do que ele havia feito com ela, "precisando dar vazão ao que estava sentindo". Afirma que decidiu fazer o vídeo do encontro porque estava com medo do que poderia lhe acontecer quando ele retornasse ao quarto do hotel.
    • Neymar: afirma que não percebeu que estava sendo gravado, que a modelo estava "fora de controle", "histérica" e que pediu para ela se acalmar. Segundo o jogador, Najila disse que se sentiu usada, e ele então teria explicado que "não era nada disso".
    • Najila: diz que a gravação completa de 6 minutos do que aconteceu no último encontro estava em um tablet que foi levado de seu apartamento.

     

     

     

    Vídeo do encontro

     

    A única pessoa, segundo a investigação, que confirma ter visto o vídeo na íntegra é Estivens Alves, ex-marido de Najila. Segundo ele, Neymar aparentava estar surpreso e assustado. O jogador teria tentado acalmar a modelo sem qualquer tipo de agressividade.

    Estivens reproduziu para a polícia o que Najila teria dito no vídeo: "Me desculpa, eu estraguei tudo, me perdoa. Eu te machuquei?".

    Corpo de delito

     

    No relatório final da investigação, a médica legisla Iris Adriani Ribeiro Caserta, responsável pelo exame de corpo de delito, disse que analisou todo o corpo de Najila e não encontrou sinais de lesão. Ela afirmou ainda que a modelo não disse ter sofrido agressões durante o ato sexual. O exame foi feito 16 dias após o encontro com Neymar.

    O relatório da polícia também menciona o exame de corpo de delito indireto, feito pelo IML a partir das fotos e do laudo particular de Najila. Os legistas não descartam a possibilidade de autolesão. Eles afirmaram também ser impossível relacionar as marcar aos tapas que a modelo diz ter levado em Paris por causa da baixa qualidade das fotos apresentadas.

     

    O que dizem as defesas

     

    O advogado de Najila, Cosme Araújo, considera precipitado a decisão da polícia de encerrar o inquérito sem indiciar Neymar. Ele pediu uma acareação entre os dois, mas a delegada considerou desnecessário. "O inquérito é inconclusivo. O Ministério Público pode indiciar o jogador e pedir novas diligências e o processo pode caminhar normalmente", afirmou.

     

    A defesa de Neymar não quis se manifestar sobre a decisão da polícia.

    Dois inquéritos

     

    A Polícia Civil possui ainda duas investigações relacionadas ao caso.

    Uma delas foi aberta voluntariamente pelos delegados após Najila noticiar que sumiu de sua casa um tablet que conteria o inteiro teor de um vídeo que mostraria Neymar lhe agredindo. Este inquérito investiga também "todos os outros equipamentos que foram subtraídos no curso do inquérito", disse a delegada responsável pelo caso, Monique Ferreira Lima, do 11º Distrito Policial da capital.

    Este inquérito, segundo o diretor do Decap, reunirá todos os elementos em relação à denúncia de estupro feita por Najila no inquérito que acaba de ser concluído.

    Outro inquérito foi aberto por iniciativa de Neymar e do pai dele, que peticionaram à investigação afirmando que houve denunciação caluniosa e extorsão por parte de Najila. Nestes dois inquéritos em andamento será apurado se outros crimes foram cometidos ao longo do caso.

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