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Markinho Hortifruti: de office boy a referência do ramo em Santo Antônio da Platina

Em entrevista ao Resenha Tá no Site, o empresário conta como começou em 2006, a decisão de deixar o ponto onde ficou mais de 15 anos, a rotina na Ceasa de Londrina e as brincadeiras de “homem-aranha” que viraram marketing

Redação
Por: Redação
05/11/2026 às 17h54

Ele passou 11 anos como office boy em um escritório de contabilidade, abriu o próprio negócio em paralelo e, quando as coisas engrenaram, pediu a conta e seguiu sozinho. 18 anos depois, o Markinho Hortifruti é referência no comércio de frutas, verduras e legumes da cidade — mas a trajetória teve reviravolta: perdeu tudo, precisou mudar de endereço depois de mais de 15 anos no mesmo ponto e reconstruiu o negócio do zero em cerca de dois anos e meio.

O relato foi feito pelo proprietário, Markinho, em entrevista ao programa Resenha Tá no Site.

O começo, em 2006

Antes do comércio, Markinho trabalhava em um escritório de contabilidade, onde atuou como office boy por 11 anos. "Mudou totalmente o ramo", contou.

Foi nesse período que ele adquiriu o hortifruti na região da Deputado Medeiros Machado, onde começou em 2006. Mesmo com o negócio aberto, continuou por mais dois anos como motoboy entregando documentos.

"Quando começou a deslanchar mesmo o hortifruti, que as coisas começaram a clarear, melhorar, eu comecei a querer encarregar em Londrina, no Ceasa. Aí eu já pedi a conta do escritório."

Ele lembra que a então patroa ficou triste com a saída. Cerca de seis meses depois, comprou um veículo e passou a buscar mercadoria em Londrina. "De lá para cá as coisas só foram engrenando, graças a Deus, só foram fluindo."

A margem apertada do ramo

Markinho explicou que o setor exige logística rigorosa, porque há produtos que não servem mais para venda de um dia para o outro, enquanto outros duram três ou quatro dias — sempre com repassagem, limpeza e manutenção.

A margem varia muito por item. "Tem fruta que você não ganha 5% por causa da perca. Tem fruta que você ganha 30%", afirmou. Há produtos que praticamente não dão margem, mas precisam ser mantidos no mix para atender o cliente.

A mudança de endereço

O negócio ficou mais de 15 anos no mesmo ponto, na região da Benedito. Hoje está há pouco mais de dois anos no novo espaço.

"Confesso que não queria ter saído de lá. Mas chegou um momento que não teve outra escolha. Eu tive que mudar."

Markinho contou que rezou dentro do estabelecimento antes de decidir, imaginando como ficariam as bancas, a geladeira, o ar-condicionado e o caixa. "Falei: cara, vai ser aqui. E Deus acalmou meu coração."

O novo espaço trouxe climatização, bancas de granito — que garantem resfriamento natural e facilitam a higienização —, estacionamento na frente e informatização do atendimento. Segundo ele, colocar fruta em freezer ou câmara fria faz o produto murchar e perder qualidade.

"Eu confesso para você que levaram tudo, mas Deus em dois anos e meio me deu tudo de volta."

A logística da Ceasa

A rotina de abastecimento é pesada. Markinho chega à Ceasa de Londrina por volta das 22h30 ou 23h, dorme no caminhão, acorda por volta das 2h para comprar e começa a carregar às 2h30. A saída é entre 4h30 e 5h.

Cerca de 80% da carga já está comprada antecipadamente por sistema informatizado. No verão, são três viagens por semana — domingo, terça e quinta à noite. No frio, duas.

Além disso, mantém parceiros que trazem direto da roça — laranja e melancia de São Paulo, batata e cebola de outro fornecedor — porque o volume é grande. "Senão o caminhão ficaria pequeno, tinha que comprar uma carreta", brincou.

Do hortifruti ao autosserviço

O negócio cresceu além das frutas e verduras. Hoje vende cerveja, carne a vácuo, carvão, kit para churrasco, polpas naturais, secos e molhados e castanhas.

"O cara vai fazer um churrasquinho no final de semana, pega a batatinha para a maionese, a cebolinha com o tomatinho para o vinagrete, o pimentão, e já tem a carne e o carvão. Já tem o pão de alho, a cervejinha e o refrigerante."

Trabalho em família

O dia a dia é dividido com o pai, Antônio, conhecido como "Largado", a namorada, Geni, e as filhas Ana Carolina e Mariane, além de dois funcionários para descarga e entrega.

"O velho todo dia faz entrega na caminhonete, desce da caminhonete, pula na moto, descarrega caminhão. É pau para toda obra."

Sobre trabalhar com a família, foi direto: "É motivo, motiva a gente a dedicar mais, estar do lado de quem a gente ama trabalhando. Para dar certo é 100%."

O diferencial no atendimento

Markinho afirma que orienta as filhas e a namorada diariamente sobre o atendimento próximo e a concessão de descontos para fechar a venda.

"Deu 30 reais e 60 centavos, faz 30. Sempre dá um descontinho. Hoje você empata com ele, amanhã ganha. A vida não é só ganhar."

A prática se estende ao relacionamento: cafezinho, cerveja e churrasquinho para clientes fiéis. "Cliente é tudo para a gente."

As entregas

O serviço de delivery atende restaurantes, marmitarias, lanchonetes e padarias, além de famílias. A regra é entregar apenas acima de R$ 50. "Senão não vence, é muita entrega. Não gosto de ficar cobrando taxa."

A promoção e o cupom para todos

O comércio sorteia uma moto elétrica no dia 31 de dezembro, com festa prevista no local. A mecânica é diferente do padrão: qualquer cliente ganha cupom, independentemente do valor gasto.

"É meu cliente do mesmo jeito que gastou 500, 300, gastou 50, 30, 10. Todos são clientes. Talvez o que gastou cinco conto é o que mais está necessitando da motinha."

As brincadeiras que viraram marketing

Markinho começou com vídeos de imitação no TikTok e depois passou a produzir esquetes com personagens — Homem-Aranha em cima do caminhão, cavalo, Shrek e palhaço —, com participação de amigos e funcionários.

"Divulga o nome da empresa. Todo mundo vê lá, Markinho Hortifruti. Fica no subconsciente da pessoa."

Ele relata que clientes chegam de outras cidades dizendo que riem dos vídeos. "Vem conhecer, vem comprar. Vamos lá ver o Markinho."

A ação no Treinão

O empresário também montou uma estrutura de frutas em uma corrida de rua na cidade, com seis mesas — e ainda faltou espaço. Cortou abacaxi na hora, com limão e sal, e melancia.

"Foi sucesso. O pessoal comentou, agradeceu, recebi bastante mensagem. Bastante cliente novo depois do dia dessa corrida."

Os planos

Para 2027, Markinho planeja ampliar o hortifruti na área onde fica a garagem e crescer a parte de mercado, que tem boa demanda. "A gente está com bastante sonhos. Vai ter bastante novidade."

Ele também mantém horário diferenciado em feriados, com dois turnos: das 8h30 às 13h e das 16h às 21h.

O recado final

"Gratidão, primeiramente a Deus, por tudo o que fez e faz para mim todos os dias, para mim e para o meu trabalho. E agradecer todos os meus clientes, a minha família que trabalha comigo, minha namorada, meu pai, e todos os amigos e clientes que estão fiéis comigo desde quando mudei de endereço. É só agradecer a Deus e trabalhar honestamente, que as coisas dão certo."

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